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Estão querendo queimar o filme da revista Gula
Chato. Tem alguém querendo queimar o filme da revista Gula usando o meu blog. Ou mais precisamente, queimar o filme do diretor da Gula, Dias Lopes. Vejam o comentário que publicaram na nota “Alex Atala é novamente um dos 50 melhores do mundo”, mais abaixo:

[Dias Lopes] [jadiaslopes@edpeixes.com.br]
O Alex é puro marketing. Só aparece porque é amigo do Josimar.
27/04/2007 23:17


Ou seja, algum imbecil, dizendo que é o Dias Lopes (colocando o e-mail dele e tudo), escreveu esta estupidez, que não faz o menor sentido. Eu só escrevo sobre o Atala – e as duas primeiras vezes que escrevi, aliás, o critiquei bastante – quando existe algum fato jornalístico que o justifique (e neste caso não só eu escrevo, outros veículos também). Sendo assim, se Atala fosse puro marketing, seria muito mais pela ação da própria revista do Dias Lopes – pois a Gula, independente de fatos jornalísticos, vem passando anos a fio a promover o chef, inclusive através de artigos assinados pelo próprio Dias Lopes. Foi a Gula que o premiou como o melhor num monte de categorias (chef do ano, melhor contemporâneo, melhor dos melhores etc. – às vezes com dois prêmios no mesmo ano) desde 1999, todos os anos, até hoje. Em 2005, ao publicar o prêmio, a Gula escreveu:

“À frente de seu D.O.M., o inquieto e talentoso Alex Atala está em plena forma. Maduro, técnico, mais interessado em produzir grandes sabores que em surpreender o cliente, ele jamais cozinhou tão bem como atualmente. Provar seus pratos, contemporâneos, é obrigatório na cidade.”

E ao conceder-lhe o Troféu Gula 2006, a revista de Dias Lopes assim o apresentou, de forma comovida:

“Ele é o chef do momento no país. Brasileiríssimo, Alex Atala merece todos os elogios e homenagens pelo empenho que tem demonstrado na divulgação dos ingredientes nacionais, tanto no cardápio de seu restaurante, o D.O.M., como nos freqüentes eventos e festivais dos quais participa no exterior. Parabéns, Alex, e que seu trabalho sério e criativo sirva de exemplo para que outros cozinheiros se comovam também pelo valor daquilo que o Brasil tem de melhor: a incrível fartura de ingredientes e a criatividade do povo.”

Foi a Gula que, na sua edição de aniversário de 14 anos, no ano passado, estampou na capa a foto de Atala com outros “chefs de grande prestígio” que apresentaram “receitas inesquecíveis”. Em agosto de 2006 a revista realizou o evento “Gula & Design”, para o qual o curador Dias Lopes levou Atala como uma das estrelas. E por aí vai.

A admiração de Dias Lopes pelo chef já se expressou inclusive fora da Gula. Na reportagem de capa que a Veja São Paulo dedicou ao chef em 2002, eu dava um depoimento onde mantinha certa crítica e distanciamento:

"Por causa de um certo deslumbramento com técnicas e ingredientes, ele muitas vezes produziu combinações bizarras", afirma Josimar Melo, crítico de restaurantes da Folha de S.Paulo. "Mas sua jovialidade e sua liberdade de criação sempre foram admiráveis."

Já Dias Lopes, em declaração curta e grossa, se derramava em taxativos elogios, não escondendo sua admiração entusiástica:

"Ele consegue combinar ousadia, requinte e simplicidade de forma espetacular", afirma J.A. Dias Lopes, colunista gastronômico.”

Por tudo isso é injusto alguém atribuir ao Dias Lopes, que se provou tantas vezes grande fã do chef, o comentário de que Atala “é puro marketing”. Ou mesmo dizer que ele tem prestígio porque é meu amigo – pois não sou amigo do Alex Atala (nunca freqüentei a casa dele ou vice-versa, sempre tive uma relação apenas profissional, o que inclui, claro, escrever sobre os seus muitos méritos).

O idiota que postou aquele comentário, que quer comprometer o Dias Lopes, é provavelmente o mesmo que espalha que o Dias Lopes sim é amigo íntimo de vários chefs, os quais levaria para cozinhar de graça em suas festas de aniversário, e em cujos restaurantes pagaria semanalmente contas com cheques que os chefs depois rasgam.

Por que alguém levantaria tais acusações, e agora usa meu blog para tentar comprometer o Dias Lopes com um comentário obtuso daqueles? Deve ser puro despeito: Dias Lopes é sem dúvida um jornalista com uma carreira bem sucedida, e isso deve incomodar muita gente.


Escrito por Josimar às 14h38
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Como escolher o melhor restaurante do mundo

Dentre os vários comentários a respeito da premiação do 50 melhores restaurantes do mundo, diversos leitores perguntam mais detalhes de como é feita esta escolha. Explicando resumidamente:

 

1 – Não se trata de uma escolha definitiva, nem mesmo de um guia abalizado sobre os melhores restaurantes. Trata-se de uma eleição realizada com um público determinado de votantes, representando a opinião deste corpo de jurados. O interessante é que, neste caso, trata-se do mais amplo e qualificado júri mundial que eu já vi, então no mínimo a lista merece ser vista e levada em consideração – embora todo mundo (eu inclusive) possa ter várias divergências (uma lista exclusivamente minha seria diferente) – como, aliás, acontece em qualquer eleição ou pesquisa.

 

2 – O corpo de jurados é constituído por 651 votantes, assim distribuídos: 30% são chefs de cozinha (que não podem votar em si mesmos); 30% são donos de restaurantes (idem); 30% são jornalistas especializados e críticos; 10% são gourmets (não-profissionais da área). Estes 651 votantes estão espalhados em todo o mundo. Para organizar sua atividade o mundo foi dividido em 22 regiões, que vão da América do Sul à Oceania, da França à Índia, dos Estados Unidos à Ásia Central, para citar algumas. Cada região tem um presidente do júri local. A cada ano estes presidentes se reúnem (como fizemos agora aqui em Londres) para fazer o balanço da eleição, discutir os processos realizados e organizar as atividades do próximo ano.

 

3 – Estes presidentes de júri não interferem nas escolhas. Não existe uma lista prévia a partir da qual os eleitores votam. Cada um dos 651 vota em quem quiser, totalizando 3255 votos obtidos segundo algumas regras, por exemplo: a) é necessário votar em 5 restaurantes; b) 2 restaurantes devem ser da região do jurado, e 3 devem ser de fora da região; c) o jurado tem que ter visitado os restaurantes em que votou nos últimos 18 meses. Cada jurado vota por internet e seu voto vai diretamente para a central de apuração em Londres (eu, por exemplo, mesmo sendo presidente do júri d América do Sul, não sei o voto dos 31 jurados da região, e não tenho como favorecer de alguma forma um restaurante do meu país ou da minha região).

 

Não é um sistema perfeito. Mas me parece cada vez melhor, e sem dúvida é uma amostragem do que pensam importantes profissionais e jornalistas da área em todo o mundo. (Para mais informações sobre o prêmio, veja o site oficial http://www.theworlds50best.com.)



Escrito por Josimar às 08h09
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Atala, do D.O.M. (S. Paulo), salta de 50º para 38º no mundo

Durante o almoço no hotel em Londres, hoje, antes da cerimônia de entrega, à noite, do prêmio dos melhores restaurantes do mundo segundo a pesquisa da revista inglesa Restaurant, esbarrei com uma mesa de espanhóis. Arzak, que chegou primeiro, veio falar comigo, louco para saber quem seriam os vencedores do ano (como sou do comitê organizador do juri, ele sabe que eu poderia ter notícias sobre a votação, que envolve 650 especialistas em todo o mundo). Adrià veio depois, correu atrás de mim mas exigiu: "não conta nada para o Juan Mari (Arzak), vamos esperar a emoção do momento". (Na realidade, acho que ele já sabia o resultado...) Andoni Aduriz, do Mugaritz, manteve-se em sua discrição habitual, mas de olhos atentos. Não contei nada a ninguém: reservei as notícias para os leitores deste blog.


E a maior surpresa não foi saber que El Bulli, do Adrià, manteve-se em primeiro, o Fat Duck, de Heston Blumenthal, em segundo, e Pierre Gagnaire, em terceiro. O mais surpreendente foi o grande salto de Alex Atala, que passou de 50º colocado para 38º, ficando à frente de monstros sagrados como Alain Passard, do L`Arpège, e Paul Bocuse. Para saber a lista completa, clique http://www.theworlds50best.com/2007_list.html.


Os detalhes da cerimônia vou ter que contar depois (mas adianto que Atala foi anunciado como “a rising star”, uma estrela ascendente). Tinha que vestir minha camiseta e ir pra lá. Vantagens das coisas que acontecem em Londres: não preciso lutar para dar nó na gravata. Joe Warwick, editor da Restaurant e presidente do nosso comitê de 22 pessoas (uma de cada região do mundo –eu sou responsável pela América do Sul), esmera-se apenas no tênis (um mais espalhafatoso que outro). Em prêmios gastronômicos nos Estados Unidos a que já fui, o pessoal brinca de Oscar e manda todo mundo botar smoking (eu não ponho). Em Londres, não é necessário.



Escrito por Josimar às 22h23
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Alex Atala é novamente um dos 50 melhores do mundo

Depois de um fim de semana de sol, Londres amanheceu nublada hoje -- como costuma acontecer. Ao meu lado, na mesa do hotel, um copo de água de Speyside, a Glenlivet -- sim, a mesma do famoso malt whisky. E à minha frente, a lista dos 50 melhores restaurantes do mundo, resultado de uma votação de 650 experts de 70 países, organizada pela revista inglesa Restaurant. Como um dos 21 membros do comitê mundial que organiza esta enquete, aqui estou: ontem tivemos reunião do comitê, e à noite um jantar no Sketch, restaurante londrino assinado pelo francês Pierre Gagnaire (que foi terceiro do mundo no ano passado com seu homônimo restaurante parisiense) e ontem preparado pessoalmente por ele.

Olhando a lista dos 50 vencedores, que só posso publicar mais tarde, posso confirmar (o que eu já sabia antes, mas não podia dizer) que o chef Alex Atala, do D.O.M. (São Paulo) está novamente na lista dos 50 melhores do mundo, na qual ele entrou no ano passado, em 50º lugar. Mais detalhes sobre os vencedores -- inclusive o primeiro colocado (o ano passado foi o catalão Ferran Adrià, do El Bulli) e a colocação de Atala --, eu digo mais tarde.



Escrito por Josimar às 07h10
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Josimar Melo é jornalista,
crítico de gastronomia da
Folha de S.Paulo e agitador
cultural nessa área

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