Para quem se interessa por cerveja

Recebi esses dias uma mensagem de um leitor do meu livro "Folha explica a cerveja", com uma crítica. Ele se refere, especificamente, à introdução do livro, que pode ser lida aqui. Reproduzo abaixo o comentário do leitor, e a resposta que enviei a ele. Aí cada um vê, pela sua experiência, qual das opiniões tem mais fundamento.

O leitor:

Errou Josimar Melo ao criticar a cerveja estupidamente gelada e somente compreender cultura estabelecida por outros povos. O brasileiro, que conhece sua terra, pede uma cerveja tão gelada porque sabe que rapidinho ela já terá alguns graus a mais e estará na temperatura que "lhe agrada" (que aliás é diferente da temperatura estabelecida por uma pessoa como sendo a "ideal").

Gruß aus Bremen,

[assinatura do leitor]

Resposta

O leitor se engana. O brasileiro habitualmente não pede a cerveja geladíssima porque sabe que ela esquentará no copo até a temperatura que lhe agrada. Basta perguntar em qualquer mesa de bar (no Brasil). Pelo contrário, o cliente costuma pedir até um balde de gelo (ou aquelas capas de isopor ou plástico) para manter a cerveja gelada o máximo possível. Quando a garrafa de cerveja chega à mesa, mesmo que embaçada por fora e quase congelada por dentro, as pessoas se servem imediatamente, e bebem o mais rápido que podem o conteúdo do seu copo -- e quanto mais gelado, melhor.

Pela saudação final do leitor ("saudações de Bremen"), ele deve estar em Bremen, então sabe que na Alemanha a cerveja pode vir em grandes jarras ou em copos enormes e nunca estará em temperaturas próximas de zero, como aqui. E será melhor apreciada em seu aroma e paladar do que uma cerveja (ou qualquer líquido) estupidamente gelado. Por outro lado, são cervejas (as da Alemanha) com mais gosto e corpo, e menos "refrigerantes" do que praticamente todas as que tínhamos no Brasil. Pelo menos estamos tendo agora uma variedade maior de tipos de cerveja, e mesmo as pilsen têm ganhado versões mais saborosas, que vão terminar, espero, levando os brasileiros a bebê-las mais do jeito de Bremen do que do Rio...

Gruß aus São Paulo,

Josimar