Basílico - Josimar Melo UOL Blog
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Gosto da Bahia

Para concluir a informação sobre a Bahia, o evento Bahia Gourmet foi ótimo. A idealização e a organização foram de primeira (parceria de Edinho Engel e Licia Fabio, não deu outra). Pequeno, mas concentrado. Boas aulas e expositores. Um clima pra cima. Para quem lembra, parecia os primórdios do Boa Mesa de São Paulo nos anos 90. Aliás, Edinho era habitué, e de certa forma decalcou o evento, tanto na organização (levou inclusive pessoas que estiveram no início em São Paulo) quanto no espírito da coisa.

Minha participação foi num debate onde se discutia a tradição e a modernização da cozinha baiana. Com mais gente na platéia do que eu esperava (mais de 50 pessoas), vários profissionais participaram. Minha opinião ali foi de que embora haja uma certa tensão na Bahia entre os tradicionalistas e os chefs mais inventivos, não há contradição real entre as duas expressões da boa cozinha -- pelo contrário, alimentam-se mutuamente. Estou escrevendo com mais detalhes sobre isso na Prazeres da Mesa, quando for publicado eu reproduzo aqui.

Aproveitei para um giro por alguns restaurantes, além do acarajé retratado num post abaixo. No Amado, do Edinho Engel, experimentei uma anchova negra (fruto de algumas discussões ictiológicas inconclusivas) super suculenta, com risoto de aspargos, que seguiu a estrela do couvert, um polvo em vinagrete. No Marc Le Dantec, do chef de mesmo nome, provei um menu-degustação onde entraram pratos da criação do chef -- como o beijupirá acompanhado com risoto de cacau -- e um toque bem francês no último prato, um vistoso pernil de vitela assado com legumes.

Vitelo assado no Marc Le Dantec

 No Paraíso Tropical, a loucura do proprietário Beto Pimentel: de seu sítio onde fica o restaurante, em plena Salvador, com 6 mil pés de 123 frutas, saem os ingredientes para seus pratos. Tomei batidas de umbu-cajá e de pitangas variadas; comi siri-mole ao alho e óleo e fatias de biri-biri fresco; e moqueca de peixe e camarão, onde no lugar do azeite de dendê vai, no cozimento, o fruto do dendê -- mais maturi (a castanha fresca do caju), palmito fresco, lâminas de coco verde, pitanga, biri-biri, amora, pimenta-biquinho, folha e flor de vinagreira... Na moqueca faltavam sal e pimenta, na batida de pitanga havia muito amargor. Mas um show, apreciado ao som dos galos de briga criados por ele ali ao lado.

No Paraíso Tropical, siri mole com biri-biri fresco, molho tártaro e de pimenta...

... e moqueca: peixe, camarão, fruto do dendê, maturi, pitanga, amora e muito mais



Escrito por Josimar às 23h39
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Josimar Melo é jornalista,
crítico de gastronomia da
Folha de S.Paulo e agitador
cultural nessa área

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