Basílico - Josimar Melo UOL Blog
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Surpresa em BH: sashimi de toro... "baratim"!

Uma surpresa diferente em Minas. No lugar da linguiça, o toro de atum, a preço de pão de queijo... Claro, não é bem assim. Mas no restaurante Rokkon -- cujo balcão de sushis está sob o comando do chef consultor Wilson Kinoshita (da família do Kinoshita de São Paulo, onde oficia o chef Murakami) -- há um folheto sobre as mesas, que entre outras coisas anuncia: "toro de atum - R$ 43,00".

Pra quem vive em São Paulo, é de se imaginar que este preço corresponda a uma ou duas fatias da iguaria, talvez uma dupla de sushi. Mas, surpresa: o que surge à mesa é um prato com dez fatias (grossas, parrudas) de toro.

O chef explica, mais tarde, que em BH o público não conhece este corte; e que nem mesmo seu peixeiro -- que traz o atum do Rio de Janeiro -- tem ideia do que seja, ou seu valor. Por isso ele é barato de comprar no peixeiro; e por não ser conhecido, impossível de vender a preços muito altos para o público.

Enquanto a situação não muda, se você está em BH ou vai passar por aqui, aproveite.



Escrito por Josimar às 13h08
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Glória e horror nas beatas Minas Gerais

Dessas coisas que só acontecem em Minas mesmo. Vim a Belo Horizonte para participar, amanhã, do jantar que o francês Patrick Gauthier (2 estrelas Michelin em seu restaurante La Madeleine, em Sens) realiza no restautante O Dádiva. Pois passando o dia trancado no hotel, escrevendo, quando bateu a fome (e a falta de tempo), já umas três da tarde, não deu vontade de comer um club sandwich no bom hotel onde estou; mas de me perder, mesmo que correndo, nalgum dos pecados das beatas Minas Gerais.

E então, aqui é assim: é só sair na rua. Claro, tem coisa ruim em qualquer lugar do mundo, então sempre é preciso algum feeling. Mas não demorou muito: a menos de 5 minutos de caminhada, achei um boteco, mais feio e desarrumado impossível. E pedi: uma dose de cachaça de Salinas (só tinham uma, e não das melhores); uma cerveja; e um sanduíche de linguiça com queijo Minas.

Foi tudo muito bom. Tanto que, morrendo de inveja de outro cliente, tive que pedir também um sanduíche de graúdo pão de queijo com a mesma linguiça dentro.

A glória. A GLÓRIA.

Mas... Vi ali na minha frente um mineiro, pele escura, semblante tranquilo das Alterosas, traje padrão de zelador ou motorista, meia-idade, fazendo um lanchinho. Aquele mineiro da gema, que tinha tudo para ser meu ídolo em termos de gastronomia popular, estava com olhos fixos na minúscula televisão do boteco, e bebendo... uma lata de energético... e comendo... um saquinho de Ruffles’s.

O horror. O HORROR.

PS 1 - Mas vi muita gente, ali mesmo, comendo pão de queijo com cafezinho de coador em copo de vidro. Como desde sempre. A batalha ainda não está perdida!

PS 2 – A mocinha avisava: “gente, o café não está açucarado”. Cada um coloca o açúcar que quiser, se quiser. Viram que moderno o boteco que eu farejei? Chama-se Cecilia Lanches. Não tem número nem placa. Mas fica na rua São Paulo, já desaguando na avenida Contorno, no bairro de Lourdes. Toalha de plástico, luzes de néon, fumaça da cozinha, um horror. E a glória.

PS 3 – E a hora da “dolorosa”? Uma cachaça, uma cerveja grande, dois sanduíches de calabresa: R$ 8,50. Em São Paulo não pagaria nem a pinga.



Escrito por Josimar às 16h59
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Josimar Melo é jornalista,
crítico de gastronomia da
Folha de S.Paulo e agitador
cultural nessa área

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