Basílico - Josimar Melo UOL Blog
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Restaurantes


Venitucci abre casa boa e barata no Piqueri

Os órfãos da Casa Venitucci -um restaurante em Perdizes que tinha muitas idiossincrasias, mas nenhuma que superasse sua ótima cozinha- podem respirar aliviados. Só precisam respirar fundo para a longa caminhada até o novo ponto onde Vincenzo Venitucci agora oficia.

Numa avenida fora de qualquer referência gastronômica da cidade, na região do Piqueri, ele acaba de abrir uma casa com o longo nome de La Rita all'Osteria dei Venitucci. O lugar está instalado num galpão escuro e simples, mas com uma enorme cozinha aberta e, especialmente, uma culinária séria e cuidadosa, tão erudita quanto era em sua casa anterior, mas com a diferença de que agora tem preços muito amigáveis (o prato mais caro custa R$ 23).

É realmente parecida com uma osteria, no sentido italiano -pratos clássicos, baratos, produzidos pelos donos da casa. Com massas italianas ou caseiras (feitas com trigo duro), há pratos como espaguete ao sugo de tomates frescos, talharim (fresco) à bolonhesa, talharim ao molho de lingüiça toscana, pimentões e creme de leite, espaguete com ragu de frutos do mar (segundo o proprietário, prato típico de sua cidade, Luca), risoto de verduras e lingüiça, nhoque de moranga ao gorgonzola. Como entrada, crostini de fígados de galinha caipira (servidos sobre polenta de sêmola de milho frita).

Ao lado disso, preciosidades hoje difíceis de encontrar como a língua de boi curada no sal, servida com pão coberto por um molho de manjericão e mel; tripas macias e saborosas com uma ponta de canela; e até mesmo rins cozidos com grão-de-bico.

La Rita all'Osteria dei Venitucci
Av. Gen. Edgar Facó, 1.127, Piqueri, tel. 3976-0130.
Seg. a qua.: 11h30 às 16h. Qui. a sáb.: 11h30 às 16h e 19h às 24h. Dom.: 11h30 às 17h30.
CC: D, M e V. T: C e V.
Estacionamento grátis.

Publicado no Guia da Folha de hoje



Escrito por Josimar às 20h13
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República da Bananeira

A pedidos, reproduzo aqui a crítica publicada na última quinta na Folha Ilustrada, um local que vale a pena visitar.

Bananeira reinterpreta pratos bem brasileiros com um viés moderno

Que bom, mais um bom endereço dedicado à cozinha brasileira, que pelo jeito começa a ganhar o merecido status na cidade. Trata-se do Bananeira, recém-aberto no Morumbi.

Fisicamente o lugar já chama a atenção: uma grande área aberta nas laterais, coberta por um teto de piaçava a seis metros de altura, como uma grande praça indígena. Na lateral, um deque de madeira repousa sobre o jardim de bananeiras; e, dependendo de como você senta, a vista do outro lado da rua é a do bosque de um condomínio. O local foi idealizado pelo chef Maurizio Ganzarolli, 38, em parceria com o empresário Sergio Melaragno, 46, sócio de alguns bares na cidade (como o Chácara Santa Cecília).

Maurizio, que já trabalhou na Itália e passou, entre outras, por casas como o La Tambouille e O Leopolldo, vem nos últimos anos desenvolvendo uma culinária moderna com pratos mais leves e bem trabalhados. No Bananeira ele aplica esses princípios a receitas bem brasileiras, algumas delas reinterpretadas em seus ingredientes e apresentação. Ele mesmo cita como exemplo o cuscuz paulista, que utiliza palmito pupunha in natura (não em conserva) e camarões preparados ao vapor.

O cardápio passeia por várias regiões brasileiras. Um gostoso bolinho de lombinho de porco com castanha-de-caju, bem temperado, é um bom tira-gosto. A tainha, uma posta fina e bem aparada, é preparada em brasa de carvão, como manda a tradição, apesar do risco de ressecar um pouco; a ótima farofa de camarão que a acompanha (além de um vinagrete) é bem úmida, e o camarão, fresco e tenro. A pescada cambucu é feita à moda caiçara, embrulhada em folha de bananeira e assada. A carne-seca desfiada estava salgada; valeu mais pelo baião-de-dois que a complementa.

Entre as outras sugestivas opções, estão o galetinho desossado grelhado no carvão com pamonha de milho verde fresco e um trio de sobremesas de banana (crème brûlée de banana, bananada com banana chips, sorvete de banana com pé-de-moleque e pastel de banana com canela). Há algumas boas cachaças e ainda poucos vinhos.

Bananeira

Avaliação: * (1 estrela)
Endereço: r. Marechal Hastimphilo de Moura, 417, Morumbi, tel. 0/xx/ 11/ 3502-4635
Funcionamento: ter. a qui., das 12h às 15h e das 19h à 0h; sex., das 12h às 15h e das 19h à 1h; sáb., das 12h às 17h e das 19h à 1h; dom., das 12h às 17h e das 19h às 23h
Ambiente: descontraído, arejado, coberto de piaçava e todo aberto nas laterais
Serviço: correto
Vinhos: pode ampliar a oferta
Cartões: D, M, V
Estacionamento: R$ 4
Preços: couvert, R$ 3,90 a R$ 5,90; entradas, R$ 13 a R$ 25; pratos principais, R$ 25 a R$ 45; sobremesas, R$ 6 a R$ 13



Escrito por Josimar às 23h12
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Aviso aos navegantes: Paola voltou

Sensível cozinha de Paola Carosella renasce no Blu

Finalmente São Paulo tem de volta a sensível cozinha de Paola Carosella feita por ela mesma. A chef argentina, que foi titular no A Figueira Rubaiyat, depois abriu sua própria casa, o Julia Cocina. Delicada e básica, ao mesmo tempo intensa e cheia de raiz, sua cozinha logo ganhou a cidade.

Saindo de lá, por incrível que pareça (tendo uma história tão curta), deixou rastros: o Julia manteve seu estilo, com chefs formados por ela; e outro discípulo, no La Frontera, manteve seus ensinamentos. Mas onde estava a própria Paola, mentora dessa corrente?

Ela ressurgiu agora num lugar improvável, o Blu . Que não é a cara dela, mas cuja cozinha agora o é. Atuando como consultora, ela mostra um cardápio com pratos que caracterizam seu trabalho: economia de ingredientes e concentração de sabores. Oferece bruschetta de brie com compota de tomate-cereja; perfumados camarões no azeite, limão, vinho branco e dill com capellini, gengibre e farofa de pão; costela cozida seis horas, profunda, com nhoque na manteiga; e por aí vai.

Blu - Rua Amauri, 225, Itaim-Bibi (São Paulo), tel. 3167-4651

(Publicado no Guia da Folha de hoje)



Escrito por Josimar às 18h50
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Iemanjá em São Paulo, no Obá

Quem conhece o restaurante Obá, em São Paulo, com sua exótica combinação de comida mexicana, brasileira, italiana, tailandesa, deve aproveitar a segunda edição do projeto deles chamado Anfitriãs do Brasil. Desta vez, à guisa de comemoração do dia de Iemanjá, estão trazendo a cozinheira Jôse, diretamente da ilha de Boipeba, na Bahia. Ela fica no restaurante de amanhã até o dia 11 reproduzindo os pratos que normalmente executa, com os pés na areia, no seu pequeno restaurante, o Mar & Coco, na praia de Moreré.


Jôse, da ilha de Boipeba

Para o festival (toda noite, e também nos almoços do fim-de-semana), ela preparou este cardápio:

Entradinhas para chegar na praia – feijão de leite, enroladinho mar e terra, polvo à vinagrete, frigideira de camarão, bolinhos de iemanjá, casquinho de aratu, saladinha de feijão-de-corda.
Principais para celebrar a rainha do mar - moqueca de camarão com banana-da-terra, moqueca de palmito, moqueca de caju com camarão seco, vermelho assado na folha de bananeira com vatapá, roupa-velha.
Doces para uma sonequinha debaixo dos coqueiros - doce de mangaba, mousse de coco mole, cocada de maracujá, bolinho de estudante.

Obá restaurante - Rua Melo Alves, 205 (Jardins, São Paulo), tel. 0xx11 3086-4774.



Escrito por Josimar às 18h06
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Clube Chocolate se divide entre o apelo orgânico e a sedução consumista

A idéia de servir alimentos orgânicos tem seu lado simpático, o de buscar uma comida saudável para quem come e para o planeta, e procurar nos ingredientes seu gosto verdadeiro, ancestral. Não aposto no futuro dos que comem e, por isso, no do planeta onde vivem, mas aprecio que se tenha uma comida melhor. Parece ser o que persegue o restaurante da loja Clube Chocolate ao aderir à comida orgânica. A questão é saber se a boa comida de lá melhorou por conta dessa transformação. Por enquanto acho que não.

Ali servia-se uma consistente e gostosa cozinha de bistrô, com toda a carga de sabores e excessos que ela felizmente traz. Era feita com competência pelo francês Pascal Jolly, que se mantém no comando. O espaço do restaurante, de bela arquitetura, ficava no subsolo da loja, ladeado por uma praia cenográfica e pontuado por mesas com ingredientes brasileiros.

Tudo mudou. Agora as mesas são intercaladas por mostruários de roupas e sapatos. Será tão bom para o organismo comer enquanto madames examinam etiquetas de vestidos a seu lado? (Aliás, será tão bom assim examinar um sapato, belo que seja, com aromas de peixe a meio metro de você?). E mudou o cardápio, agora pequeno e tímido. Provavelmente porque é tímida a oferta de produtos orgânicos. Então temos que tomar sucos engarrafados ou congelados (alguns péssimos), vinhos poucos e ruins (e olha que tem muito vinho orgânico importado e bom), e pratos tíbios como peixe grelhado com purê de batata (orgânico, um dos dois?). Tailandês sem pimenta No meio das poucas opções dá para garimpar batatas fritas, competentes, com aioli (maionese de alho); espaguete ao alho e óleo com camarões, rúcula e pimentões; filé mignon (antes eram cortes bovinos mais excitantes) com molho béarnaise; embora seja preciso fugir da salada thäi (camarão, macarrão tailandês, manga, pepino, amendoim, chili, azeite de erva-cidreira, tudo sem gosto e sem pimenta).

Não seria melhor ter a velha e boa cozinha de bistrô, farta e variada, e ao lado uma seção de "orgânicos", com os pratos que ali coubessem (classificados pelos proprietários como "alimentos funcionais")? E que tirassem da nossa frente aqueles sapatos caros e reluzindo de sedução consumista, enquanto a gente quer apenas comer?

CLUBE CHOCOLATE
Avaliação: regular
Endereço: r. Oscar Freire, 913, subsolo da loja Clube Chocolate, tel. 0/xx/11/3084-1500
Funcionamento: seg. a sáb., das 10h às 20h; dom., das 12h às 18h.
Ambiente: a loja é moderna e linda, o local do restaurante também, mas as araras entre as mesas atrapalham
Serviço: simpático, jovial
Vinhos: meia dúzia de vinhos orgânicos e fracos, pouco diante da oferta já existente
Cartões: todos
Preços: entradas, R$ 8 a R$ 20; pratos principais, R$ 24 a R$ 38; sobremesas, R$ 8 a R$ 12

(Publicado hoje na Folha Ilustrada)



Escrito por Josimar às 12h22
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Eu quero Mocotó

Pra quem ainda não foi, recomendo o Mocotó, onde estive neste fim de semana, em São Paulo. Um pouco longe para quem mora na zona sul, fica no aprazível bairro da Vila Medeiros, na zona norte. Um entorno suburbano (como uma cidade pequena) e montanhoso (meio como Belo Horizonte). Comida nordestina sensacional.

Sábado foi na base da mocofava (caldo de mocotó com feijões, linguiça, bacon, pedaços de mocotó -- de levantar defunto); tapioca recheada com carne-seca, queijo de manteiga e crocante de mandioca; escondidinho (ótimo, cremoso); joelho de porco cozido (com um caldinho...); cabrito atolado (com mandioca, ótimo tempero); carne-de-sol frita (a que menos me agrada, vem na chapa quente, meio seca); baião-de-dois, cachaças especiais, cerveja. Sem falar do sensacional torresmo (o grande, onde até o formato é perfeito). Uma tarde comendo e bebendo sem parar, saindo feliz depois de gastar R$ 24,50 por pessoa. Boteco primoroso, onde a comida é reconfortante, os três salões são apertados e barulhentos, e a cozinha é (como diziam as avós) "um brinco".


Tapioca com carne-seca, queijo de manteiga e crocante de mandioca

Mocotó - Av. Nossa Senhora do Loreto, 1.100, Vila Medeiros, São Paulo, tel. 0xx11 6951-3056



Escrito por Josimar às 08h15
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Para fugir do óbvio, defumados do Jô

Quando o chef João Leme, do Rôti, mencionou uma vez um pequeno estabelecimento, atrás de uma porta de garagem, chamado Smoky Jô, lembrei de visitar e escrever sobre o lugar. É uma casinha de poucas mesas no térreo, mas com espaço para abrigar o instrumento de sua originalidade: o defumador de onde vem quase tudo servido ali.

Pois esta é a grande marca do Smoky Jô: adotar, e com talento, um veio que não se encontra na cidade. O Jô da história é o artista plástico gaúcho José Sergio Wolf, que ao abrir a casa cinco anos atrás cismou em fazer algo diferente.

Tudo é defumado, não somente carnes (que recheiam sanduíches variados ou compõem a feijoada) como até mesmo o arroz servido no almoço. Além de carnes e peixes (rosbife, picanha, tainha), há criações como o ótimo medalhão de costelinha de porco (desossada e enrolada com molho chimichurri) e a novidade, o “caviar” de costela defumada (capa da costela bovina).

Smoky Jô - Rua Mourato Coelho, 25 (Pinheiros, São Paulo), tel. 3061 1085.

Publicado no Guia da Folha em 13/10/2006



Escrito por Josimar às 09h48
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Rumo Norte

Meio que inadvertidamente, meio de supetão, estando na zona norte de São Paulo, sou levado a comer. “Aonde vamos?”, me perguntam meus anfitriões (estávamos em reunião no Jardim São Paulo). Respondo: vamos a algum lugar nas redondezas, onde se possa chegar a pé. Então escolham vocês, que são daqui. Não tiveram escolha senão ir aonde sempre vão, a churrascaria Villares.

Não conhecia, e gostei de conhecer. O dono também tem outros pontos – ali em frente uma choperia, a North Beer, e no Sumaré, a Villa Heitor. A especialidade da Villares: a costela. Ela é temperada em sal grosso e colorau, embrulhada em papel celofane, e fica três horas e meia no calor da churrasqueira. Bacana. Poderia ser ainda melhor se ficasse mais longe do fogo, e por muuuuuito mais tempo, num calor brando: ficaria mais macia e suculenta. Mas não é má mesmo.

Grande privilégio da casa: ele recebe as centenas de peças de costela já no tamanho pedido –e vêm todas do mesmo tamanho e espessura... Quando o ingrediente já chega assim padronizado, tudo fica mais fácil na cozinha ou no braseiro. Os restaurantes que fincam pé com seus fornecedores para conseguir a regularidade dos produtos saem ganhando. O público também.

Mas não pensem que só comi na Villares. Bebi muito vinho interessante também. No próximo post, vamos a eles. Enquanto isso, anotem:

CHURRASCARIA E CHOPPERIA VILLARES
Av. Luis Dumont Villares, 542, Jd. São Paulo, São Paulo, tel. 0xx11 6979-4024 / 6973-9635.



Escrito por Josimar às 18h51
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Crítica - Goga: clube de golfe também pode ter bom restaurante

O Goga é uma boa surpresa. De fora não promete muito -fica em um clube de golfe murado no Alto de Pinheiros. Mas ao trespassar o portão, o cliente já se depara com o restaurante, e a visão é agradável. O local é envidraçado, dá vista para um gramado onde de vez em quando aparecem jogadores. O salão é confortável, as mesas são decoradas com pequenos jogos, e, numa das extremidades, fica o forno a lenha usado para pizzas. Ao lado, um ambiente com bar e poltronas. E a cozinha não se limita aos grelhados (que imperam no almoço). Há pratos trabalhados cuja descrição no cardápio atrai a atenção.

Os sócios são quatro amigos da época de faculdade, todos paulistanos: Evandro Monteiro, 38, Márcio Katudjian, 38, Marcos Carreño, 36, e Marcello Resende, 37. Os três primeiros são também sócios do Pátio da Luz, no shopping Center 3. Eles chamaram para a cozinha o chef Fernando Morais, 31, que trabalhou longo tempo com Alessandro Segato. A missão conferida pelos donos era a de conceber um cardápio com referências no norte da Itália e sul da França (embora não sejam exatamente similares...). A pratos inspirados nesses países, o chef inoculou ingredientes brasileiros -como é o caso do stinco de cordeiro (meio rígido) com belo angu de caroço e alho caramelado; ou o coelho marinado ao funcho com arroz na manteiga queimada e castanhas-do-pará; ou ainda o filé de arraia com purê de cará e manteiga trufada.

O confit de robalo (peixe cozido lentamente em azeite e ervas) com arroz cremoso de castanhas e especiarias é uma das boas pedidas, desde que o peixe fique um pouco mais úmido. O risoto de cogumelos silvestres com foie gras é um prato vigoroso. A massa de macadâmia com musse de chocolate e creme de macadâmia, acompanhada de uma taça de Johnnie Walker Gold Label, agrada, mas ficará melhor se menos gelada; e a carta de vinhos, se mais variada. Defeitos? As qualidades ganham e foram inesperadas.

GOGA

Avaliação:  *

Endereço: r. Orobó, 125, Alto de Pinheiros, São Paulo, tel. 0/ xx/11/3022-2424

Funcionamento: seg. a qui., das 12h às 15h30 e das 19h às 23h; sex., das 12h às 15h30 e das 19h ao último cliente; sáb., das 12h às 17h e das 19h ao último cliente; dom., das 12h às 17h e das 19h às 23h

Ambiente: agradável

Serviço: eficiente

Vinhos: oferta limitada

Estacionamento: R$ 8 (almoço) e R$ 10 (jantar)

Cartões: todos

Preços: almoço: pratos principais, R$ 24 a R$ 32; sobremesas, R$ 5 a R$ 19; jantar: pratos principais, R$ 22 a R$ 54; sobremesas, R$ 5 a R$ 19

 

Publicado hoje na Folha Ilustrada



Escrito por Josimar às 11h35
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Bom e barato - Sinhá tem pratos brasileiros e ar de fazenda

Aquela esquina já sediou agitados bares da cidade, abertos noite adentro. Agora abriga um restaurante, que abre todo dia, mas somente no almoço. O Sinhá mudou bastante o ambiente, adotou uma decoração naïf, interiorana, com espaço bem alto e amplo, e serve um bufê de almoço com sugestões variadas, pilotadas pelo proprietário Júlio Bernando, uma mistura de chef de cozinha e DJ.

O bufê, disposto sobre um fogão a lenha, custa R$ 10,50 durante a semana e R$ 14,50 aos sábados (quando também há feijoada) e domingos (quando predomina a cozinha mineira). Há pratos de cozinha brasileira e ar de fazenda, como baião-de-dois, frango com quiabo e arroz do norte (com purê de abóbora, dedo-de-moça, carne-seca desfiada); alguns com releituras, como escondidinho de lingüiça sob purê de abóbora e carne-de-panela ao alecrim; e novidades não muito bem-sucedidas, como o nhoque de beterraba com molho de alho-poró ou de ricota defumada. Entre os grelhados, as opções incluem bife ancho, bisteca e kafta.

SINHÁ
Endereço:
r. Antônio Bicudo, 25, Pinheiros, São Paulo, tel. 0/xx/11/3081-4627

Funcionamento: de seg. a sex., das 11h30 às 15h30; sáb. e dom., das 12h às 17h

Preços: de seg. a sex., R$ 10,50; sáb. e dom., R$ 14,50; sobremesas, R$ 2,20

 

Publicado hoje na Folha Ilustrada



Escrito por Josimar às 07h56
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Uma no cravo, outra na ferradura

Acho interessante reproduzir aqui meu artigo no Guia da Folha (da semana passada, 18/8/2006), na minha coluna “Notas do Gourmet”, sobre o costume de alguns restaurantes de outros países de, nos primeiros dias de funcionamento, darem polpudos descontos aos clientes para compensá-los por possíveis falhas.

Ao cobrarem 30% ou 50% a menos, os proprietários ganham menos e os funcionários também (ao menos a brigada, que recebe os 10% da conta –como a conta é menor, a caixinha também diminui). O restaurante À Côté inovou no Brasil ao introduzir esta prática, mas de forma cruel: eliminou da conta o serviço dos garçons, sem mexer no faturamento dos donos... Aqui está o artigo:

"Desculpe a nossa falha”

É insuportável ir a um restaurante novo, deparar-se com falhas e ouvir a ladainha "desculpe, abrimos há pouco". Ora, se ainda não estava pronto, por que abriu? Ou, se abriu com falhas, por que cobrar preços de como já estivesse no ponto?

Alguns restaurantes nos Estados Unidos dão descontos nessa fase de adaptação. E, aqui em São Paulo, o método foi adotado pelo novo restaurante À Côté . Nas primeiras semanas, toda a brigada portava camisetas dizendo que não seriam cobrados os 10% de serviço.

A idéia é boa, mas mal aplicada. Nos Estados Unidos, os descontos (30%, 50%) são nos pratos (o que mexe no lucro dos proprietários e também na caixinha dos funcionários). Aqui, ao eliminar os 10%, corta-se somente a remuneração da equipe, sem tocar no lucro dos donos. É fácil ser empresário assim: joga-se a responsabilidade de eventuais falhas integralmente nas costas (e bolsos) dos empregados, enquanto os donos, os responsáveis pela casa, lavam as mãos. (Publicado no dia 18/8/2006 no Guia da Folha)



Escrito por Josimar às 00h58
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Blu mescla celebridades e uma cozinha italiana que promete

É preciso escavar um pouco a superfície reluzente do Blu para encontrar suas camadas de gastronomia. Ocorre que ele fica na esfuziante rua Amauri; tem celebridades entre seus sócios (como donos do Café de la Musique e o ator Fabio Assunção, 35); e com isso o restaurante aberto há quinze dias já se tornou mais um ponto de afluência de ricos e famosos (ou aspirantes a), o que pode atrapalhar suas pretensões gastronômicas.

Disto deram-se conta os proprietários, como o empresário Antonio Conte, 25, que sendo também do Café de la Musique (como outro dos sócios, Álvaro Garnero, 38), pretendeu que, antes de funcionar mais como um bar e lounge, o Blu tivesse vocação de restaurante. Nem por isso lhe falta uma confortável área de espera, com sofás que fazem dali um ambiente de estar auto-suficiente; mas os proprietários (entre os quais também André Piedade, 30, do Koi) foram atrás de um conceito –cozinha leve, principalmente italiana— e de profissionais experientes para colocar de pé sua obra.

Seu principal artífice é Vicci Domini, 55, consultor paulistano que começou a carreira como auxiliar de cozinha em Nova York e trabalhou no grupo Fasano por cerca de 15 anos. Ele reuniu a equipe que tem profissionais como o chef Aroldo Vieira, 47, também com longa história no grupo Fasano, e o sommelier Paulo Sergio Engelhardt, ex-A Figueira.

Quem atravessar o perfumado burburinho que lota a entrada do Blu poderá provar pratos ainda desiguais mas com boas promessas. De um lado, um excelente robalo com molho de vongole e mariscos e perfumado arroz negro; de outro, um sofrível escalope de vitelo com pesado molho de alcachofras e alcaparras. Uma salada de anéis de lula perfeitamente macias (embora chamuscadas) precede um bom risoto realçado pelo ragu de vitela ao vinho tinto, ou um filé com ervas no ponto. Passeando pelo mediterrâneo, há também pratos franceses e espanhóis. E uma carta de vinhos já interessante, ainda sendo trabalhada pelo sommelier.

Blu
Regular
$$$

Endereço: Rua Amauri, 225 (Itaim Bibi, zona sul) tel. 3167-4651, São Paulo.
Horário de funcionamento: seg a qui, 12h30/15h e 19h30/1h; sex, 12h30/15h e 19h30/1h30; sáb, 12h30/16h e 19h30/1h30; dom, 12h30/16h.
Ambiente: lounge confortável, salão com vista para a rua Amauri.
Serviço: boa equipe.
Vinhos: o experiente sommelier está montando a carta, ainda incompleta mas já com variedade.
Estacionamento com manobrista: R$ 10
CC: todos
Preços: couvert, R$ 9,50; entradas, R$ 14 a R$ 28; pratos principais, R$ 27 a R$ 63; sobremesas, R$ 12 a R$ 19.

Publicado hoje na Folha Ilustrada



Escrito por Josimar às 00h56
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Bom e Barato: La Arena Parrilla

Churrascarias à la carte nem sempre ganham espaço diante da proliferação dos rodízios, mas muitas vezes podem ser até mesmo mais baratas do que o sistema que se tornou tão popular. A La Arena Parrilla é um exemplo. É uma casa pequena mas bem montada, com carnes preparadas na brasa de madeira, e que oferece também opções de pratos do dia que saem bem em conta.

Os grelhados são melhores do que os acompanhamentos (a cebola na grelha ainda um pouco crua; as tradicionais batatas, que à moda argentina são fritas em alho, aqui servidas numa versão sem graça, em forma de chips com dentes de alho também muito crus). Se pedidos em porções para duas pessoas (bife de chorizo, ojo de bife), podem ficar na faixa de R$ 25 por pessoa. Os pratos executivos, no almoço, ficam em torno de R$ 20,00: por exemplo, picadinho de filé mignon ao molho madeira com champignon, acompanhado de ovo poché, arroz e saladinha; e ossobuco ao sugo com polenta e arroz.

La Arena Parrilla
Endereço: al. Ministro Rocha Azevedo, 263 (Jardins, zona sul), tel. 3266 3388, São Paulo.
Horário de funcionamento: seg a qui, 11h30/22h30; sex e sáb, 11h30/23h; dom, 11h30/22h.
CC: todos
Preços: couvert, R$ 5,90; entradas, R$ 7,50 a R$ 19; pratos principais, R$ 19,90 a R$ 39; sobremesas, R$ 7,50 a R$ 11,50.

Publicado hoje na Folha Ilustrada



Escrito por Josimar às 00h43
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Josimar Melo é jornalista,
crítico de gastronomia da
Folha de S.Paulo e agitador
cultural nessa área

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